segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tira-gosto: IBGE Censo 2010

Me lembro muito bem quando eu respondí o censo de 2000, eu ainda morava com a minha mãe/avó e só tinha eu em casa com os cachorros e fui atender a porta e ainda pensei que era pegadinha. Ou assalto. Nunca ví um recenseador tão mau-encarado e feio quando a palavra que descreve a profissão. Mas tudo correu bem, tudo ficou em casa e eu, feliz por ter contribuido na pesquisa.

Por que pesquisa é aquela coisa, né... lenda urbana. Ninguém viu, niguém nunca participou, mas sempre estão lá os números mágicos que indicam qualquer coisa.

Pois bem, começou o ano, e agora, morando sozinha (mentira, com marido e gata) já estava ansiosa pra responder aquelas perguntinhas cretinas novamente. Mais por uma sensação de "eu ajudei", "eu fiz parte" e "nossa, quanta coisa mudou em 10 anos, heim" do que qualquer coisa. E esperei. E esperei...

Até que no domingo dia de votação, dia 3 de outubro, eu saí de casa láááá pra depois do almoço (sem almoçar) pra votar, pq tive um pequeno incidente felino que resultou num banho meia-boca (dela) e atrasei muito. Nem lembrava do IBGE que já estavam com cabaninhas pela cidade e nem se dignaram a ir lá em casa, e olha que eu tentei ficar em casa nos fins de semana e nas noites de semana. E quando eu volto, depois de exercer meu papel de palhaça cidadã consciente que tentou votar o mais corretamente possível como se eu tivesse muitas opções... e tá lá debaixo da minha porta um bilhetinho dos putos. Eles foram na minha casa no domingo de votação. Sério. Serião.

Mas beleza... peguei o papelzinho (e que letra arregaçada a da pessoa indecifrável que foi lá, viu) e guardei pra ligar no dia seguinte. Na segunda, lá foi a retardada aqui ligar, falar com um gago (!!!) e marcar uma visita no sábado de manhã, já que eu não ia ter aula de inglês e estaria lá, disponível qualquer horário nesse período.

Ok, sábado, dia 10, e lá eu, com a sala arrumadinha, esperando o recenseador. Oito da manhã, nada. Escovei a gata, ela odiou. Nove da manhã, nada. Naveguei na net e coloquei uns downloads pra fazer. O gato pulando na sala, derrubou um vasinho de planta. Dez da manhã, nada. Já tinha catado o resto vivo da planta e coloquei no vaso de novo, e o resto morto da planta, no lixo. Marido resolve tomar banho e fazer a barba, de cinco em cinco minutos aparecia um ser de toalhas com pedaços da barba faltando. O gato observa. Dez e meia, nada. O gato dorme no meio do corredor, marido bilisca um biscoitinho e eu vou colocar a roupa pra lavar. Preciso ir no supermercado, mas tenho que esperar. Onze da manhã, e nada. O gato faz outra zona qualquer na casa e eu pego ela na marra pra lavar as patas na pia. Marido tira fotos da cara de desespero da gata. Opa! Lixeiro, corre com os sacos de lixo! Volta bufando escadas acima e ... Onze e meia e nada. O marido está inquieto, quer ir fazer as malditas compras de uma vez, afinal, na geladeira só tinha um biscoito água e sal vencido, ketchup, uma barra de chocolates e um suco de caixinha velho. Nada pro almoço ainda. Onze e quarenta. Nada. Ligo o Wii e passeando pelos jogos, desistimos, já que até o Cooking Mama dava fome. Onze e cinquenta. Opa! Tem evento hoje a tarde, como esquecemos? Onze e cinquenta e cinco. Ainda nada e esperando. O marido tava puto que levamos bolo dos putos do IBGE. Achamos uma lasanha no congelador, dentro do vencimento, yey!

Uma da tarde, comidos e ainda sem o IBGE fomos embora. Afinal, "de manhã era apenas até meio-dia".

Na segunda-feira, dia 11, eu liguei de novo e marquei de novo pro mesmo dia, a tarde/noite. Bom, nada de novo. Fiquei puta com aquilo! Pro inferno, oras. Se não querem vir, não venham.

Passou a semana toda, e na sexta a noite, aparece lá um novo bilhetinho de uma tal de Isadora, dos putos do IBGE, dizendo que os moradores não estão colaborando com o importante trabalho de recenseamento da população brasileira. Okay. Se eles não dessem bolo, talvez fosse realmente culpa minha e tals... MAS ESSES PUTOS SÃO MUITO PUTOS! Atender no sábado que é bom, nadaaa, né?!

Okay. Não vou deixar eles me vencerem. Ligo hoje, segunda-feira, dia 18, pra lá, um tal de Humberto com U (sério que ele disse isso, será que ele imagina que Humberto com ou sem o "h" da frente não teria "u"?!) me atende e diz que é impossível isso que me aconteceu ser na área dele.

"Qual o seu bairro?"

"Tal"

"... é a minha área, mas..."

"Aqui no papel diz que foi uma tal de Isabela, Isadora, sei lá, letra horrível".

"Mas não tem nenhuma supervisora minha com esse nome."

"Mas foi quem foi lá e deixou esse bilhete mal educado."

"Mas é que eles são terceiros e recebem por produtividade, então eles sempre voltam nas casas quando não encontram os moradores."

"Entendo, seu Humberto Com U, mas isso não é justificativa para a grosseria do bilhete e pelos bolos que eu tomei do IBGE."

"Realmente, é muito estranho e eu tenho que averiguar o que aconteceu já que há muitos casos de desistência, mas é muito estranho."

"Estranho não. Desculpa, mas é uma falta de respeito isso. Se pergunta se quer marcar, e eu aceito é por duas coisas: uma, não estou em casa atôa para receber vocês ao seu bel-prazer de escolhas de dias estaparfudios e horários confusos; e duas, é pra ajudar o seu funcionario a fazer logo o trabalho dele e receber sair da minha vida até 2020."

"Mas é um serviço terceirizado e..."

"... e vocês deviam contratar mais pessoas ou treiná-las melhor."

"..."

"Então, você vai querer marcar mais um dia e horário para eu ficar lá esperando e levar outro bolo, ou vai anotar meu telefone, endereço e nome pra alguém resolver o que vai fazer?"

E bom, tô esperando a ligação de retorno, mas amanhã vou num daqueles quiosques do IBGE e botar terror no recenseador jacú dos putos do IBGE alí na Savassi pra fazer inferno com eles.

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